terça-feira, 20 de abril de 2010

VICIO EM DROGAS É DOENÇA E DEVE SER TRATADO C/REMEDIOS


VICIO EM DROGAS É DOENÇA E DEVE SER TRATADO COM REMÉDIOS,
DIZ DRA. NORA VOLKOW – NIDA (EUA)


Fonte: G1
Secção: Ciência e Saúde
Data: 25/03/10
Estado: Nacional

Uma das maiores especialistas em drogas da atualidade esteve recentemente no Brasil (SP) e foi enfática ao caracterizar a dependência de substancias químicas como a Cocaína, o cigarro e a bebida: “A dependência é uma doença crônica no cérebro humano”

Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA) dos EUA, afirma que o vício em substâncias químicas afeta uma região do cérebro chamada de córtex orbitofrontal, responsável pela tomada de decisões. “Essas pessoas perdem o livre arbítrio para dizer não”.

Segundo Nora, há muitas pessoas que julgam os dependentes como pessoas moralmente fracas, e ignoram que elas perderam o controle de suas ações. “ Se você esta dirigindo um veículo e tenta não atropelar um gato, o freio pode falhar e você não consegue fazer o que quer. É difícil fazer as pessoas acreditarem algo semelhante ocorre com as drogas”, afirma. Mesmo quando a pessoa tem a melhor das intenções de não tomar a droga, ela perde a cabeça, o “freio” do cérebro não funciona.”

Genética e stress
De acordo com a especialista, os jovens correm um risco maior de se tornar dependentes químicos. “Na infância e na adolescência, o cérebro é muito plástico (fácil de ser ‘modelado’). Isso é bom para o aprendizado, mas ao mesmo tempo ajuda a pessoa a se tornar dependente de drogas.”

Nora aponta que correm mais riscos aqueles que têm predisposição genética para a dependência ou os que vivem sob condições estressantes, como os que não se dão bem com os pais ou com os amigos. Por isso, segundo ela, um dos métodos que funcionam melhor para a prevenção são os programas que estimulam a auto-estima dos adolescentes, como a prática de esportes.

Medicamentos
A diretora do NIDA, que é psiquiatra, defende também maior uso de medicamentos para o controle da dependência. Segundo ela, os remédios conseguem ajudar as pessoas a romper o ciclo vicioso que as leva usarem drogas compulsivamente.

“Assim como a hipertensão, a dependência de drogas é crônica e exige cuidado continuo. Entre os tratamentos que funcionaram bem estão os que foram levados a cabo por cinco anos, e não um ou três meses”, diz.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Unifesp concorda com a médica. “ Se você parte do principio que o cérebro está com problemas, uma abordagem apenas psicológica pode deixar a desejar.”

Legislação
Segundo Nora, um dos fatores que leva ao vicio é o acesso livre às drogas que causam a legalização. “Hoje os maiores vícios que temos são álcool e nicotina, não porque são as drogas que causam mais dependência, mas porque são as mais disponíveis. Não é uma questão ideológica. É questão epidemiológica.”

Ao mesmo tempo, a psiquiatra diz ser contra encarar o dependente como um criminoso. Ela defende que o estado ofereça tratamento e ao mesmo tempo penalize quem não se submete a ele. “Nos Estados Unidos, médicos dependentes que não seguem o tratamento perdem sua licença para trabalhar”, conta.

[... Da palestra da Dra. Nora Volkow para cerca de 400 profissionais de saúde na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)...]

terça-feira, 6 de abril de 2010

Regulamento Interno do CRIC

C.T.: PORTAS ABERTAS – GRAVATAI-RS

REGULAMENTO INTERNO


A – CONDIÇÕES DE PERMANÊNCIA
1. Querer recuperar-se é condição essencial;
2. Somente será admitido aquele que ingressar voluntariamente;
3. Aceitar, sem restrições a participar de todas as atividades contidas no programa;
4. Pela disciplina cumprir as normas do presente regulamento;
5. Comprometer-se em manter a comunidade livre de drogas, sexo e violência;
6. O tempo do Programa de Recuperação é de 09 meses e 21 dias, no máximo.
7. Na primeira fase: desintoxicação e adaptação, o residente não deverá sair a rua, salvo quando houver absoluta necessidade e nestes casos deverá ser acompanhado por um membro da equipe.



B – VISITAS E VISITANTES
1. Dia de Visitas: Todo terceiro Domingo de cada mês das 09:00 às 17:00 horas.
2. Visitantes:- parentes e, ou responsáveis dos residentes que tenham pelo menos três (03) presenças ao Grupo de Apoio de sua região e presença na Reunião Preparatória “GPA” que ocorrem na terça-feira anterior ao domingo de visita.
3. Direito a visita: Todo residente que tiver pelo menos trinta (30) dias, a contar do seu ingresso na Casa da Acolhida. Ou seja: só haverá visita para quem tiver pelo menos 30 dias de abstinência, comprovados por sua internação. Item não negociável.



C – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
1. O trabalho no C.R.I.C. é baseado no respeito a dignidade humana;
2. A permanência é voluntária e decidida após o interno ser informado sobre a orientação seguida e as normas em vigor;
3. Todos participantes deste programa devemos nos comprometer a convivência comunitária de uma vida livre de Drogas, sexo e violência.



D – CRITÉRIOS DE ALTA
Alta Terapêutica (GRADUAÇÃO): 09 meses;
Desistência (alta pedida): 48 horas,antes da saída);
Desligamento (alta administrativa, “exclusão”)
Casos de Mandato Judicial;
Evasão (fuga).


E– NORMAS BÁSICAS DE MORADIA
1. Lavar roupas de cama a cada 15 dias ( 15 e 30 do mês);
2. Suportar no máximo 3 peças de roupa suja (dentro de sacos plásticos);
3. Manter armários e roupas organizadas;
4. Manter a carteira de cigarros, sempre, no bolso;
5. Manter vasos sanitários limpos após sua utilização, bem como pias e espelhos;
6. Mantenha higiene pessoal;
7. Não entrar nas casas após o inicio da laborterapia;
8. Não cantar ou tocar músicas de “ativa”;
9. Não mexer em pertences dos outros sem, autorização do responsável;
10. Não se deitar ou sentar-se em camas que não seja a sua;
11. Não se sentar em horário de laborterapia;
12. Não usar coberturas (chapéus ou bonés) em áreas cobertas;
13. Não usar gírias e apelidos;
14. Não deixar meias dentro dos calçados;
15. Não dependurar roupas ou toalhas nos móveis e janelas;
16. Não cuspir pelas janelas;
17. Não fazer batucadas e algazarras no refeitório;
18. Não chegar, atrasado em qualquer atividade proposta no cronograma;
19. Proibido falar pela janela;
20. Proibido criar qualquer coisa sem autorização da equipe;
21. Proibido manter em seu poder qualquer quantia em dinheiro, remédios, alimentos, doces, balas e documentos pessoais ou de outros;
22. Proibido desenhar ou rasurar móveis, paredes e árvores;
23. Para entrar em setor que não seja o seu, solicite autorização do monitor responsável;
24. Fazer barba, no mínimo, às segundas, quartas e sextas-feiras;
25. Jogue as baganas de cigarro dentro das “bituqueiras”;
26. Limpe os pés ao entrar nas casas e banheiros;
27. Recolha roupas secas dos varais antes do almoço e jantar;
28. Cuias e garrafas térmicas nos armários e limpas até o primeiro apito;
29. Baldes com roupas sujas, até o primeiro apito;
30. No horário do banho, deserto dentro do banheiro e conversa na fila de forma adequada;
31. Usar crachá nos dias de visita ou nas reuniões com voluntários;
32. Antes de qualquer reunião: vá ao banheiro, tome água e providencie tudo que for necessário para evitar sair durante a mesma;
33. Manter postura adequada durante a reunião;
34. Pedir licença para interromper conversas;
35. Após o segundo apito, luzes dos quartos apagadas e silêncio;
36. Não mexer em pertences que não sejam seus, sem autorização do responsável;




Ø Tudo é terapêutico... mas...CADA CASO É UM CASO….


F– DIREITOS E DEVERES DOS RESIDENTES
1. Saídas para ressocialização: - No dia em que completar seis (6), sete (7) e oito (8) meses de tratamento na Fazenda, com duração de uma semana.
2. Condições de saída para ressocialização:- Ter concluído, satisfatoriamente, o quinto (5º) passo e obtido parecer favorável da equipe de assistência.
3. Saídas para Perícias:- O residente deverá ser acompanhado por um membro da equipe. A família deverá ressarcir a despesa de transporte, ou se comprometer em fazê-lo. O valor da indenização será fixado pela diretoria do CRIC, anualmente. Ambos deverão se apresentar ao perito portando CRACHÁ de identificação.
4. Desistência ( 48 horas):- Todo residente poderá solicitar alta por desistência, em qualquer época, , sem sofrer nenhum tipo de constrangimento; disposto a aguardar 48 horas, da seguinte maneira: Por escrito, justificando o motivo. Poderá desistir ou efetivá-lo. Durante este período a equipe deverá tomar as providências necessárias para solucionar o motivo, estando a seu alcance e também fazer contato com a família, possibilitando um telefonema, visando auxiliar ao residente tomar a decisão acertada.
5. Aviso a família:- o desistente poderá fazer uma ligação à cobrar a sua família, avisando de seu ato. Cabe a equipe notificar ao escritório, sede e ao coordenador do programa.
6. Tratamento Médico especializado:- Poderá ser concedida uma licença para tratamento médico especializado ou para internação hospitalar de até trinta (30) dias, neste caso o interno será encaminhada a família que tomará as providencias. Quando do retorno ao programa o indivíduo retornará na mesma posição em que deixou, tendo seu tratamento prolongado no mesmo tempo de sua saída médica.
7. Ter possibilidade de encaminhar a uma pessoa credenciada, queixas e sugestões relacionadas com a vida da Comunidade.
8. Deixar o programa a qualquer tempo, sem sofrer nenhum tipo de constrangimento;
9. Estar protegido em relação a castigos físicos e violências psíquicas ou morais;
10. Ser encaminhado a recursos externos, em caso de doença, quando a comunidade não dispuser de meios para atendê-lo;
11. Cumprir as normas da CT, livremente aceitas por ele;
12. Contribuir para que haja um clima de cordialidade e de respeito mútuo dentro da CT;

G – DA EQUIPE DE ASSISTENCIA
Manter com o residente relacionamento profissional, respeitando, sempre, sua dignidade de pessoa humana;
Não ter com o residente qualquer tipo de envolvimento sexual amoroso.
Abster-se da utilização do trabalho do interno, ainda que remunerado, em proveito pessoal;
Atuar apenas dentro dos limites de sua competência, procurando ampliar estes limites através de treinamento e de cursos de formação.
Atuar junto às famílias dos residentes procurando fazer com que participem positivamente dos processos de recuperação e de reinserção social.
SIGILO: As informações sobre os problemas do interno, obtidas pela equipe em decorrência de sua atividade profissional, devem ser mantidas em sigilo.
§1º. A quebra de sigilo somente é admitida quando se tratar de crime previsto em lei, que possa causar graves conseqüências para o interno ou para terceiros. A quebra de sigilo deverá ser decidida pela equipe.

H – INFORMAÇÕES GERAIS
1. Quando do desligamento, desistência ou exclusão, o residente deverá levar todos os seus pertences.Aqueles que não quiser levar, ficarão para serem doados aos carentes;
2. “Deserto”:- Todo elemento que ao confirmar seu desligamento, desistência ou exclusão, ficará isolado dos demais companheiros (deserto), não mais podendo se comunicar com eles, para evitar contaminação (influencia negativa);
3. “Excluídos”: Só poderão solicitar retorno ao programa, pelo menos, seis (06) meses após sua exclusão.
4. Desistência com as “48 horas”:- Poderão retornar ao programa a qualquer momento, após reavaliação positiva da equipe, via triagem;
5. Desistência sem aguardar as 48 horas: (“Aborto”):- Retorno permitido somente após seis (06) meses da data de saída.
6. Tratamento médico: Não retornando ao programa em 30 dias ao retornarem deverão procurar a casa de triagem.
7. Termo de desistência:- deverá ser assinado por aqueles que desistirem do programa.
8. INSS: O CRIC notificará ao INSS o abandono, desligamento ou exclusão daquele que estiver recebendo Auxilio Doença, fruto de encaminhamentos realizados por nós.
9. Saídas Terapêuticas:- Após o quarto mês, poderá haver uma saída terapêutica, com a finalidade de Higiene mental e auxilio para o autoconhecimento, com duração de três noites, preferencialmente, sexta, sábado e domingo, nas seguintes condições:
1º - Não poderá estar pagando nenhum trabalho construtivo;
2º - Estar em dia com sua contribuição a instituição ou acerto com a tesouraria;
3º - Avaliação positiva da equipe;
4º - Acordo da família a qual deverá providenciar sua busca;

Cabe unicamente ao coordenador geral o deferimento final, após analisar os itens acima.

Hora de saída e retorno:- sexta-feira após 17:00 horas e retorno: segunda-feira até às 13,30 horas
Obs.: Caso a família não providenciar acompanhamento na saída, esta será cancelada.
Quanto ao retorno e de inteira responsabilidade da família.


I – MOTIVO DE DESLIGAMENTO (EXCLUSÃO)

1. Romper qualquer principio fundamental deste Regulamento ou do Código de Ética da FEBRACT; tais como: NÃO SEXO, NÃO DROGAS, NÃO VIOLENCIA e RESPEITO A DIGNIDADE HUMANA.
2. Portar ou incentivar outros ao uso de drogas (álcool), a pratica sexual e ao “Papo de Ativa”;
3. Não participar em qualquer atividade do programa ou determinada pela equipe, sem motivo justo ou, e não cumprimento destas normas internas, a partir do momento em que o residente seja reincidente, nestas atitudes; (duas advertências por escrito);
4. Tomar atitudes que venham a depor contra a instituição, nas suas saídas programadas ou autorizadas;
5. Apropriar-se de objetos pertencentes a outros ou a instituição;
6. Qualquer atrito, agressão, influência negativa, desrespeito a equipe, voluntários, trabalhadores, visitantes e diretores da instituição;
7. Causar danos ao patrimônio da obra;
8. Conversar com estranhos, conhecidos da “ativa” e excluídos, pela cerca ou telefone;
9. Desrespeito de qualquer ordem aos vizinhos e seus familiares.

“ O amor é paciente e tudo crê... É compassivo, não tem rancor...
Não se alegra com a injustiça e com o mal... Tudo suporta ... é dom total”.



TUDO É PRA TEU BEM. TODA ALTERAÇÃO SERÁ AVALIADA PELA EQUIPE. NÃO HAVERÁ DECISÃO PESSOAL. POIS:

NOSSO OBJETIVO É TUA RECUPERAÇÃO

POREM: CADA CASO É UM CASO!

Este Regulamento Interno é apenas um instrumento para te ajudar na mudança de tua vida;

POIS: “SEM CONVERSÃO NÃO HÁ RECUPERAÇÃO”


Gravataí, 04 de abril de 2010 – Dia da Páscoa.




Elio Nepomuceno de Andrade= CRF 1588
Coordenador do Programa de Recuperação do C. R. I. C.
Misericórdia e Justiça, é nosso lema.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Livrai-nos do mal!




Fui atender um dos internos na Cric. Levei-o pra frente do sacrário. Ele contou que participava de rituais satânicos. Ele dizia que quando ele estava muito afim de drogas seu mestre providenciava. Certo dia, ele estava desesperado por drogas e pediu a satã. Na vila onde estava houve um tiroteio, uns dos bandidos caiu morto na frente dele com as mãos cheias de entorpecentes. Em seus rituais reunia-se num dos grandes cemitérios de Porto Alegre, onde eram colocados os indigentes, vítimas de violência e traficantes, para fazer festa e consumir drogas.
Mas agora, buscando livrar-se das drogas sentia-se muito mal. Desde que chegara na Cric ele não conseguia dormir em paz. Disse que não estava resistindo aquele ambiente da fazenda porque estava impregnado pela presença de Nossa Senhora. Relatou que era um consagrado, um sacerdote de satanás. Mas desde que tinha chegado na Cric, pra cada lado que olhava via a imagem de Nossa Senhora, chamando-o pro Reino de seu Filho Jesus.
Uma determinada noite escutou um dos Exu, entidade a quem era consagrado, ordenando: saia daqui, não permito que você fique aqui. Aqui você não tem força!
Os monitores não sabiam o que fazer. Então fomos fazer orações pela situação. Pela manhã ele decidiu ir embora e deixou a fazenda.
No outro dia, a tarde, soubemos que ele recebeu um tiro, perdendo uma das perna perto do pampa safári, um parque temático da Grande Porto Alegre. O homem havia andando por lugares onde seu mestre não queria que ele andasse!

A figueira amaldiçoada




Nas sextas-feiras tinhamos reunião de Grupo de Oração na Fazenda do Senhor Jesus, em caráter não obrigatório. Filhos de Deus era o nome do nosso grupo. Num daqueles encontros me recordo de haver poucos internos, por isso organizamos o grupo ao redor de uma mesa. O local era um galpão adaptado como sala de reunião, com duas portas,uma entrada e uma nos fundos. Preparamos o local, acendemos uma vela e entronizamos uma imagem de Nossa Senhora.
Depois de cantar os louvores, iniciei uma oração de cura e libertação. Durante a oração fizemos um momento de renúncia, aquela em que renunciamos a Satanás e reconhecemos a Jesus como único Senhor e Salvador de nossas vidas.
De repente, enquanto orávamos uma das portas se abriu abruptamente, um vento forte entrou, as luzes se apagaram, exceto a vela de Nossa Senhora. Na sala estavam alguns instrumentos e materiais do Ministério de música. A bateria foi erguida subitamente, e lançada contra a parede. As cadeiras que não estavam sendo usadas se ergueram do chão foram arremessadas também na parede do salão. A rajada de vento entrou pela porta da frente e saiu pela porta dos fundos na direção do bosque que lá existe. Pois bem, naquele bosque havia uma figueira centenária no caminho do vento. O medo se apoderou de todos e rezamos o Magnificat até que tudo se acalmou.
Passado esse imprevisto, movido pelo Espírito, eu disse ao grupo que não se aproximassem daquela figueira porque um espírito impuro havia se dirigido pra lá. Instantes depois, a energia elétrica retornou. Para discernir o que tinha ocorrido pedi aos participantes que partilhassem aquilo que haviam renunciado.
Então, um dos jovens presentes testemunhou que havia sido consagrado num batismo de sangue. A mãe dele consagrou a família, num terreiro de macumba, a Exu uma das divindades africanas. Durante o momento da oração o jovem renunciou àquela consagração, aceitando Jesus como seu único Senhor Salvador e libertador.
Exatamente uma semana depois, na sexta-feira seguinte, recebi um telefonema da fazenda, dizendo que a figueira tinha sido explodida por um raio fulminante, restando apenas alguns pedaços do tronco.
Quanto ao jovem, prosseguiu e terminou seu tratamento de recuperação.

Libertação na Via -crucis




Este relato aconteceu na Fazenda do Senhor Jesus de Viamão, RS. Bira tinha 17 anos, era dependente de cocaínas e inalantes. Certo dia ele falou comigo, pedindo permissão pra fazer a via sacra, de joelhos. Na oportunidade eu neguei para não escandalizar os outros internos.
Ocorre que pouco tempo depois fui a Fátima. Chamou-me atenção aqueles peregrinos fazendo um longo trajeto de joelhos dirigiam-se até a capela das aparições local de destaque na cova da Iria.
Na volta dessa viagem falei com Bira. Ele insistiu que deveria fazer aquele sacrifício , pra ser curado e liberto. Então eu permiti, nas seguintes circunstâncias: deveria ser a noite, depois que todos fossem dormir, e como proteção usasse joelheiras.
Marcamos para a quinta-feira santa.
Chegado o dia, quando tocou o segundo apito às 22h, um alerta convencionado pro silêncio, Bira saiu do sacrario e começou a subir o morro da via-sacra . Trata-se de um percurso construído nas terras da fazenda, morro acima, construído para a meditação dos internos. No alto, a cruz.
Naquele dia eu estava na fazenda, pois o coordenador da casa , um dos monitores de plantão, estava doente. Estávamos no alojamento dos monitores em 4 pessoas enquanto Bira subia o morro em sua penitencia. Ele já estava no percurso há uns 10 minutos, e pedi ao Nivaldo, um dos monitores, o paulista, que o seguisse a uns 50 metros atrás, sem que fosse percebido. Momentos depois ouvimos um barulho assustador. Um grito terrível, que encheu a todos de medo. Saímos do quatro, corremos até o paulista, perguntando o que seria o grito. Ele surpreso,respondeu que não tinha ouvido nada.
Bem, já que estávamos ali, decidimos acompanhar o Bira a distancia no caminho da via crucis. Na metade do caminho, soprou um vento gelado, assustador, eu ainda comentei, que parecia que espíritos impuros saiam dele...e seguiram-se várias rajadas que moviam as árvores.

Mas havia outro fenômeno estranho. Do alto do morro, percebemos um silencio incomum, olhamos abaixo, os cães das fazendas em volta estavam em silencio. Todos os patos e gansos estavam no lago mansamente, nadando no escuro, aquela hora da noite, num silêncio indescritível, enquanto comentávamos, Bira deu um grande grito. Ele estava aos pés da cruz, no alto do morro. Tio Elio, Nossa Senhora veio ouvir meu pedido de perdão! Instantaneamente fomos todos jogados ao chão de joelhos...Vimos um horizonte luminoso, cores lindas, uma árvore, ao fundo do calvário estava envolta numa luz, e ele gritava :Nossa Senhora!
Bira estava pedindo perdão por oito execuções que tinha feito. Ele era o mais novo de uma quadrilha, e era o encarregado de dar o disparo final nas vitimas. O ultimo caminhoneiro que ele matou era um conhecido de sua família, da cidade de Cachoeira do Sul.
Nessa mesma noite, minha filha orando em casa, sentiu que eu estava em perigo, e Nossa Senhora estava pedindo que orasse. E começou a rezar o terço. Ela viu uma escuridão e via demônios saindo na direção do mato, na escuridão. Nossa senhora aparecia como uma estrela, um feixe de luz e iluminava todo lugar.
Depois dessa experiência na via sacra, Bira concluiu o tratamento e manifestou a intenção de tornar-se um monge católico.
Em minhas orações, Nossa Senhora me pediu pra construir naquele local um santuário e prometeu que todo interno que lá se ajoelhasse se aproximando do calvário de Jesus, ela intercederia.
Por razões diversas o santuário não chegou a ser construído. Eu fui trabalhar em outra comunidade terapêutica, a fazenda da Imaculada Conceição em Gravataí, onde ajudei a construir um pequeno santuário, dedicado à Nossa Senhora. Coincidência ou não, no dia da inauguração percebi que fazia exatos sete anos do ocorrido no morro e do pedido que Nossa Senhora me havia feito de construir um santuário.

Sob o Manto da Imaculada




Certo dia pela manhã me encontrava na fazenda do Centro de Recuperação Imaculada Conceição (Cric), situada no município gaúcho de Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre. Trata-se de uma comunidade terapêutica católica, para recuperação de dependentes químicos e minha função é de coordenador do programa de recuperação. Então naquele dia, M.H. um dos monitores, muito assustado, pediu-me para falar com Vinício um dos internos. O rapaz estava num estado de profunda tristeza e nada que o monitor tentasse para ajudá-lo parecia surtir efeito.
Nesse dia, dirigi-me ao oratório da Mãe Imaculada que se encontra a beira do lago da comunidade terapêutica, um local muito agradável, com a intenção de atender os internos aos pés da imagem da Senhora do Céu. Vinicio chegou,assentou-se e começou a desabafar. Notei que seus olhos estavam sem brilho, sem vida. Fisicamente, esse rapaz já estava bem, desintoxicado, e avançava em sua recuperação, estando em vias de mudar de grupo. No processo de recuperação que dura nove meses, tempo da gestação de uma nova vida, a cada três meses há uma mudança gradativa dos grupos de tratamento. Todavia, era nítido pelo seu olhar que Vinício estava com a alma atormentada.
O rapaz contou sua história de tratamentos anteriores em comunidades protestantes, ressaltando que não se sentia bem, ali na frente daquela imagem de Maria. Respondi a ele que era ali mesmo, sob o manto de Maria Santíssima, que eu o via enquanto ele falava e que Maria Santíssima estava ali para ajudá-lo, intercedendo por ele. Em conversa posterior, a mãe de Vinício me disse que apesar do filho ter se tornado evangélico ela jamais abandonara a devoção a Nossa Senhora, e que sentiu que quando eu falava com ele era Deus que lhe dirigia a palavra.
As histórias de dependentes químicos são muito marcantes, a de Vinício não era diferente. Sua maior tristeza era que em seu passado ele havia executado duas pessoas na guerra do tráfico, dois oponentes de facções rivais do crime organizado. Um morreu na hora, o outro ele não sabia dizer, mas percebeu que o homem havia saído muito ferido do tiroteio. Esse fato, era o motivo de grande peso em sua consciência e por isso não dormia tranqüilo há quatro meses, sentindo remorso. Falou também sobre seu histórico de tratamentos anteriores, sem sucesso, as duras recaídas e a volta ao crime.
Depois comecei orar por ele. Durante a oração o Senhor mostrou-me uma visualização de que as vítimas não clamavam por vingança. Ao invés disso, me deu a seguinte palavra de ciência: você matou duas crianças. Foi o que o Senhor mostrou. Insisti na oração e o Senhor confirmava em meu coração a palavra forte:você matou duas crianças!
Eu ia dizendo a ele o que o senhor estava mostrando. Em seguida, como ele não acreditasse, como prova, o senhor deu uma outra palavra de conhecimento. Eu vejo uma agressão no teu pulmão esquerdo que era pra lhe ter tirado a vida, mas uma criança o protegeu. Nessa altura, Vinício tirou a camisa que usava e mostrou a enorme cicatriz no peito. Eu nada sabia a respeito daquilo...
No passado Vinício relatou tinha sido casado e estavam progredindo bem quando a mulher engravidou. Ele rejeitou o filho, pois em inicio de casamento, fase de conquistas materiais, um filho só iria atrapalhar o crescimento deles. Pois bem, essa criança que ele matou estava clamando a Deus, querendo o reconhecimento do pai, e uma reparação. Disse a ele que o Senhor mostrava um segundo aborto, mas Vinício disse não se lembrar,sem negar que houvesse acontecido.
Depois do ocorrido, Vinício separou-se da mulher e a ganância de subir na vida o dominou, não teve mais paz. Foi quando entrou no mundo do crime e o tráfico o conduziu ao fundo do poço.
Depois da oração,inspirado pelo Espírito Santo, recomendei a ele que fosse pra frente do sacrário, pedir perdão a Nossa Senhora pelo desprezo e falta de fé e pedir sua intercessão. E pedisse a Jesus que o perdoasse pelos seus crimes. Disse ainda, que orasse pelo filho que lhe desse um nome e orasse por ele.
Como resposta a essa oração, o Senhor disse que ele iria dormir aquela noite como nunca tinha dormido. Na manhã seguinte ele deveria rezar um terço em devoção à Nossa Senhora pela boa noite de sono e a partir disso ela transformaria sua vida. Sobretudo ele deveria testemunhar a graça ao restante de sua família.
............
Passaram-se 15 dias. Tudo aconteceu exatamente como o Senhor havia dito na oração. As insônias acabaram-se. Ele estava perseverando, rezando o terço e trabalhava com afinco.
Vinício terminou seu tratamento tornou-se monitor de uma clínica de recuperação em São Paulo, estava feliz como nunca tinha se sentido.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Visitantes Ilustres











Ainda na graduação de Dezembro tivemos a honra de receber, alem dos familiares, diretores e voluntários, as seguintes autoridades: -Casais pertencentes ao MCJ de Cachoeirinha que nos presentearam com uma brilhante encenação natalina.




- Deputado Dionilso Marcon - Presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos-AL/RS




- Frei Orestes - Comunidade Morada do Vale.




Aproveito para agradecer estes nobres visitantes que muito tem ajudado a todos nós nesta luta de uma vida nova aos nossos residentes.